Genderless: palavra em inglês que significa sem gênero. Mas e na moda, o que significa exatamente esse tal genderless?Peças básicas e neutras que podem ser usadas tanto por homens quanto por mulheres? Isso é unissex! Genderless é uma representação que vai muito além das roupas.
Pra gente entender melhor esse novo capítulo da história – sim, da história! -, é preciso saber que algo mudou também dentro da sociedade. Muitas pessoas não querem ser reconhecidas, não se enquadram mais dentro do padrão binário homens/mulheres. A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie descomplicou: “O problema com o gênero é que ele descreve como nós devemos ser, antes de reconhecer quem nós somos”. Dudu Bertholini também falou bastante sobre a questão nessa entrevista pro Blog.
É natural que essa evolução reflita na moda, já que as roupas, a maneira como nos vestimos, é muito importante na nossa comunicação com o mundo, na nossa expressão – é, gente, moda não é brincadeira, não!
Mas não é com as tais roupas unissex que criaremos a neutralidade dos gêneros, não. Antes disso precisamos enxergar a unificação masculino/feminino com os nossos próprios olhos para depois entender como coleções genderless funcionam nas araras das lojas e nos nossos guarda roupas.

Lá em 2012 um estilista britânico chamado Jonathan Anderson lançou, sob a marca JW Anderson, uma coleção masculina que deu o que falar. Um batalhão de modelos homens cruzou a passarela de seu desfile produzidos com vestidos, shortinhos de babados e o que mais você conseguir imaginar que pudesse causar uma boa polêmica na época – pense, cinco anos atrás, nada disso ainda era assunto!
A produção, entretanto, não foi tratada com feminilidade. Os modelos continuaram firmes em suas características masculinas, porém usando vestidos tubinhos, até então comuns apenas no armário das mulheres. Anderson deu o start para que outras marcas fizessem o mesmo, para que unificassem suas coleções femininas e masculinas em uma grande coleção categorizada como sem gênero, o que deu a entender que qualquer peça de roupa poderia servir tanto para homens quanto para mulheres. Que vitória!

Não demorou para que marcas gigantes aproveitassem a nova onda, afinal, nascia aí uma nova seção de roupas. Aqui no Brasil a C&A foi uma das primeiras a entrar nessa, com a campanha “Tudo Lindo & Misturado“, em que homens e mulheres surgiam com looks trocados. A ideia foi permitir que seus clientes passassem a se vestir com mais liberdade, explorando novas fronteiras – e eles nem precisaram criar uma coleção específica pra essa ação! É a proposta de neutralidade dos gêneros em sua essência, considerando que não precisamos mudar nada para nos adaptarmos a essa realidade.

Outra gigante do fast fashion, a Zara optou por criar uma coleção super simples para esse novo público, que foi chamada apenas de “Genderless“. Os consumidores, entretanto, se sentiram incompreendidos com uma linha que não trazia nada mais que roupas unissex, básicas e sem expressão nenhuma.
Mas enfim, como são essas tais roupas genderless? Uma dica: aquilo que considerávamos andrógino no passado já era um primeiro passo para o que hoje consideramos sem gênero, ou com gênero neutro.

Uma espécie de híbrido entre o masculino e feminino como os conhecemos até agora. Isso também já foi visto antes, há bastante tempo, no cenário musical, em artistas que nunca se rotularam. Estamos falando de Prince (abaixo, à esq.) e Ney Matogrosso (abaixo, à dir.). Pah!

Estes são apenas alguns exemplos pra que a gente perceba que o tal do genderless sempre esteve presente em nossas vidas – o termo apenas tomou nova forma, ganhou novo nome! Seu verdadeiro sentido, entretanto, esteve por muito tempo guardado dentro das pessoas que nunca se identificaram com uma categoria específica, ou que se identificavam com todas as categorias juntas, de uma só vez. Apesar do nome invocar a falta do gênero, o genderless é para todos e foi criado justamente para dar mais liberdade às nossas escolhas. Faça o que quiser, vista o que tiver vontade e, principalmente, seja quem você sempre desejou ser. Viva a diversidade!

Fotos: Now Fashion e reprodução.

Da Redação