É sempre na primeira segunda-feira do mês de maio que os anuais Bailes do Met acontecem. O gala serve como festa de inauguração da próxima exposição de moda a ser exibida dentro do Instituto de Figurino, atualmente chamado de Anna Wintour Costume Center, situado dentro do Museu Metropolitano de Nova York, o Met. Dirigido pela própria poderosa editora-chefe da Vogue América e diretora criativa da Condé Nast, o evento é tido como a maior celebração da moda e o dress code é sempre regido pelo tema da exposição.
Bom, mas nem sempre é fácil adequar a produção do traje ao tal tema, e este ano deu pra sentir que os convidados passaram por um grande teste de provação: homenagear Rei Kawakubo, a estilista e fundadora da Comme des Garçons.
Fundada em 1973 em Tóquio, a marca ficou conhecida no final dos anos 80 e ao longo de toda a década de 90 e segue ativa até a data atual. Em 1981 a Comme des Garçons apresentou seu primeiro desfile na semana de moda de Paris, surpreendendo ao público com suas novas proporções, volumes e pela larga utilização da cor preta nos looks. A crítica reagiu ao desfile batizando a coleção de “Hiroshima Chic“, devido às propostas de roupas masculinizadas, rasgadas e cheias de furos, mas a moda confortável agradou em cheio o público sedento por novidades.

A partir dos anos 90 a marca começou a expandir internacionalmente com a inauguração de diversas lojas ao redor do globo e em 1998 lançou uma fragrância com 53 notas incomuns no mundo da perfumaria, entre oxigênio, metal, roupas secando ao vento, carbono mineral, dunas de areia, esmalte, celulose, ar puro das montanhas, borracha queimada e pedra incandescente. Já deu pra sentir o diferencial da Comme des Garçon, né?

Foi com propostas de desconstrução do corpo humano, no entanto, que suas roupas deixaram um legado e fizeram sua contribuição para a história de moda como conhecemos hoje. Na coleção de 1997 uma linha de peças com a estampa xadrez vichy se destacou pelas formas volumosas em regiões inesperadas do corpo, sendo essa a principal característica da marca que segue o conceito até os tempos atuais.
Exatamente por isso estávamos ansiosos para descobrir como as famosas se adequariam ao tema e o interpretariam em suas produções para o Baile do Met deste ano. Não por acaso que a cantora Rihanna (abaixo) foi apontada como uma das poucas convidadas a acertar em cheio no visual de gala, pois aderiu a um vestido da Comme des Garçons para o tapete vermelho.

A peça tão difícil de entender a olho nu pareceu conceitual demais para uma festa tão importante – mas é justamente o contrário! Seu vestido construído com a aplicação de centenas de bolinhas estampadas é parte da coleção mais atual da Comme des Garçons e expressa exatamente o sentimento de tudo o que seria conferido na exposição nos momentos seguintes ao tapete vermelho – logo depois da entrada os convidados têm acesso à mostra. A sandália usada pela cantora, de tiras vermelhas, era da Diesel Gold Black e essa é apenas uma prova de que a produção de moda envolve muito mais do que apenas um vestido certeiro – a execução do look envolve desde escolha do sapato ideal, somado à maquiagem coordenada com as cores da roupa. É um trabalho minuciosos, na maioria das vezes destinado aos stylists das famosas, e o de Rihanna responde pelo nome de Mel Ottenberg.


Continuando com os looks que mais se relacionaram com o tema da noite, outra cantora também rendeu comentários pela ousadia de sua escolha: Katy Perry, que elegeu o modelo de uma marca tão conceitual quanto a Comme des Garçons. A Maison Margiela Arsenal corresponde à linha de alta-costura da casa belga, atualmente comandada por John Galliano. Katy Perry (acima) quis fazer bonito, mas tudo o que conseguiu foi algumas críticas da imprensa que não a considera uma figura tão marcante na moda, ao contrário de Lady Gaga, por exemplo.

Ao invés de recorrer às formas de desconstrução do corpo, Lily Collins (acima) optou por relacionar sua beleza com o tema da noite. Pra isso a atriz aderiu a uma peruca de fios pretos e corte chanel com franjinha curta, assimilando-se ao visual da homenageada da noite. A produção formada pelo conjunto de corpete preto e saia de tule cor-der-rosa, no entanto, era da Giambattista Valli.

Na imagem acima, Rei Kawakubo com o icônico corte de cabelo chanel com franjinha e lados assimétricos.

O maior desafio das convidadas do Baile do Met, como dissemos, foi a tradução do conceito da referência de moda criada por Rei Kawakubo em produções contemporâneas para o tapete vermelho. O vestido Michael Kors usado por Natasha Poly (acima), graças a seus furos, faz uma referência sutil à coleção “Hiroshima Chic”.

Também de forma sutil, Lily James (acima) reforçou essa ideia de formas e volumes exagerados com o vestido branco da Burberry.
As homenagens à Comme des Garçons também apareceram em produções inteiras brancas ou vermelhas, duas cores muito importantes na marca fundada por Rei Kawakubo.

Kate Hudson (acima, à esq.) vestiu Stella McCartney, Emmy Rossum (acima, ao centro) foi de Carolina Herrera, e Lily Aldridge de Ralph Lauren.

Rose Byrne (acima, à esq.) vestiu Ralph Lauren, Lupita Nyong’o (acima, ao centro) foi de Prada e Thandie Newton (acima, à dir.) de Monse.

Fotos: Getty Images, Pinterest.

Da Redação