Até dia 10/09 o MorumbiShopping promove o Morumbi Trend Store, uma plataforma de moda inédita com bate papos, apresentações e shows, tudo gratuito e aberto ao público. A curadoria desse evento é do Dudu Bertholini, que conversou um pouquinho com a gente sobre comportamento e tendências da moda e do mundo. Vale a leitura!

Estilo e extravagância
“Desde muito novo, muito mais do que moda eu sempre me interessei por estilo e pela maneira como as pessoas se expressavam através das roupas. E eu sempre tive um fascínio pelas pessoas que se expressavam de uma maneira extravagante, exuberante e única. Isso pra mim sempre foi um sinônimo de liberdade. Desde muito novo eu tive a impressão de que se eu pudesse me vestir como eu queria eu seria livre, e hoje eu fico muito feliz em ter conquistado isso.”
Descoberta, conquista e aceitação
“Eu acho que no mundo de hoje a gente pode ser o que a gente quiser, contanto que a gente banque ser quem nós somos. E isso não é fácil, ainda mais quando você é alguém que não se adequa à média dos padrões. Eu sou muito humano, muito amoroso à minha maneira. Então tive momentos difíceis, claro que sim, até me entender e me descobrir – mas eu penso muito mais nos momentos de conquista e aceitação. Desde criança eu adorava uma extravagância, adorava me montar, queria usar polaina e cabelo comprido… tudo que eu queria usar quando criança e que às vezes era considerado muito exótico eu pude usar depois de mais velho.”
Aceitar e apreciar as diferenças
“O que eu acho legal é que, diferentemente de outros momentos, em que a moda colocava um padrão que às vezes era difícil da gente atingir, hoje ela tá aqui justamente para nos ajudar a enaltecer as diferenças. A enaltecer os diferentes tipos de cabelos, de raças, de corpos, de gêneros. Então a mensagem que acho que temos que passar é de auto estima, de aceitação e de apreciar as diferenças, e não de se adequar a padrões. Até quando eu penso no real propósito pelo qual eu trabalho com moda, em que diferença isso pode fazer na vida das pessoas, eu acho que essa é a principal mensagem que meu trabalho carrega, e que eu busco transmitir também.”
Na TV pela quebra de paradigmas

“O ponto mais legal da TV é poder trabalhar num programa que, como Amor & Sexo, faz entretenimento mas com conteúdo, o que, de alguma maneira, também promove uma mudança das mentalidade, pra que as pessoas vivam melhor com seus desejos, pra quebrar paradigmas, preconceitos. Então eu acho que a parte mais gratificante foi a gente ter conseguido usar esse grande canal de comunicação e ter falado de feminismo, de racismo, da desconstrução dos gêneros. Isso eu acho muito legal.”
Mais que assustadora, a moda é livre!
“Se a moda é um espelho do mundo, a maneira de consumir moda e de assimilá-la mudou muito também. E tem horas que eu acho que ela é muito assustadora, porque ela é muito cheia de informação, mas isso é porque o mundo é muito cheio de informação e porque hoje a moda é livre. Então mais do que às vezes você ficar um pouco angustiado com a quantidade de tendências que estão aparecendo, pensa que tá tudo ali pra você escolher o que combina com a sua personalidade e te ajudar a ser a melhor versão de você mesmo.”
Urgência de consumo
“A parte que eu mais gosto do formato do Trend Store é de ele ser aberto ao público e da gente criar uma relação direta com o consumidor e com as peças que estão sendo promovidas ali. A moda, como um todo, vive uma urgência de consumo porque o mundo é muito imediatista hoje em dia. Ninguém mais quer essa distância de tempo entre o desfile e essa roupa chegar na loja. Então estamos nesse momento de see now buy now que nada mais é que a passarela correndo atrás do varejo. É mais legal ainda aqui no Trend Store porque nunca essa distância foi tão encurtada – nem da passarela pra loja, é de um corredor pro outro! Além do mais você conseguir vislumbrar como misturar uma peça com outra, aquela marca com outra.”
As macrotendências
“Dezenas de marcas contam a mesma história, e elas certamente têm a ver com a gente, porque essas macrotendências não são só ideias de calças, de blusas ou de tops pra usarmos. Por trás dessas tendências estão denominadores antropológicos do nosso desejo do mundo nesse momento. Eu acho que quando a gente entende a moda a gente entende política, economia, geografia, religião. Então por trás da Trend Store existe um movimento humano maior, que é o desejo do que as pessoas estão buscando ali.”
Viva a democracia!
“Eventos como a Trend Store, e também o avanço da internet – que possibilita que uma grande editora e uma pessoa que mora no interior mais longínquo tenham acesso aos desfiles ao mesmo tempo -, geram uma democracia e uma velocidade muito maior na moda. Hoje todo mundo é um difusor de moda e de informação é isso é muito legal. Viva e democracia! Essa é a moda do século XXI.”
Sobre a tendência Neo Tropical
“Se a gente busca um mundo mais verde, acho que temos que trazer isso no nosso guarda roupas, na nossa maneira de nos vestir. Ainda estamos caminhando pra isso, ainda estamos em um território de alto consumo, mas temos que buscar uma maneira mais sustentável e integrada de consumir e entender a origem dos produtos que a gente consome (isso é um ponto muito importante). E de novo, se a gente quer um mundo mais verde podemos começar homenageando ele nas nossas roupas, seja usando estampas de folhagens, de bichos, fauna, flora. Essa tendência tropical sempre foi muito forte no Brasil. A estamparia é um dos pilares da identidade da moda brasileira, sempre foi.”
O futuro da moda
“Quando a gente fala do futuro da moda eu acho que sustentabilidade e tecnologia são as palavras chave. A tecnologia está crescendo de uma maneira exponencial nas nossas vidas e também nos nossos guarda roupas. Às vezes temos a impressão que esse mundo tecnológico está meio distante mas ele já começou e em menos de dez anos vamos ter mudanças drásticas na nossa maneira de consumir moda – através da wearable technology, da tecnologia aplicada nas roupas, nas matérias primas, nos gadgets.”
Sobre a tendência Techno Sport
“Temos buscado um lifestyle mais saudável, mais conectado com o corpo. A medicina estética e as novas descobertas tecnológicas possibilitam que a gente viva muito mais e isso reflete diretamente no nosso guarda roupas. O legal é que a gente vê a tecnologia e o esporte se misturando a favor de uma moda que é contemporânea, com tecidos metálicos, holográficos, lurex, mas ao mesmo tempo com uma cara mais relax e confortável. Você quer estar glamouroso mas você quer praticidade, e a tendência Techno Sport fala justamente sobre isso. Hoje em dia já não existe mais nenhuma regra absoluta de moda. Você pode pegar seu paletó e usar com uma legging, essa ideia de mistura é muito contemporânea e eu acho que ela tem a praticidade que o nosso dia a dia pede, ainda mais em uma cidade como São Paulo.”
Cada um com seu gênero!
“A gente vive um momento em que essa distinção binária homem e mulher já não cabe mais. A comissão de direitos humanos de Nova York validou 31 novos gêneros. Na verdade existem mais do que isso, e as nomenclaturas são relativas, alguns desses nomes competem muito uns com os outros. O que é importante é a gente aceitar as diferenças e entender que cada um tem a sua própria busca pela sua sexualidade e pelo seu gênero. Sexo é algo biológico, mas gênero é uma construção social, e ele tem que estar de acordo com a sua personalidade, com quem você é.”
A tendência Sem Fronteiras

“Uma das maiores características dos dias de hoje é a fluidez. Um dia a gente tá mais masculino, um dia a gente tá mais feminino, ou alguns de nós não se identifica nem com o gênero masculino nem com o feminino. Então eu acho que essa fluidez é a cara dos dias de hoje e nos nossos guarda roupas isso faz com que a gente se apaixone pelas roupas sem estar designado a um gênero. Uma camisa, por exemplo, pode vestir bem um homem ou uma mulher. Vale lembrar também que, inicialmente, roupas e cores nunca tiveram gênero, tivemos algumas construções sociais que nos endureceram em relação a isso. E em um momento de diversidade, de valorizar o individualismo, o genderless cai como uma luva para que a gente se entenda e como queremos nos apresentar para o mundo.”

Foto: Mari Lemos

Mari Lemos é jornalista, trabalhou com Erika Palomino na revista KEY, no caderno Vitrine da Folha de S. Paulo, e como redatora do site Petiscos, da Julia Petit. Hoje edita o Blog do MorumbiShopping.