Entre coleções de verão e inverno, a indústria da moda ainda encontra espaço para os desfiles de alta-costura, que apresentam, sempre em Paris, as linhas de festa de marcas contemporâneas e de outras especializadas no gênero. Esse é o caso da Schiaparelli e Viktor & Rolf, que só desfilam seu haute couture duas vezes ao ano, se bobear até menos, e da Azzedine Alaïa, cujo estilista promove raras apresentações, basicamente quando tem vontade – pra se ter uma ideia, a coleção anterior da Alaïa foi apresentada há seis anos! Então eis que a marcar retorna com tudo e com com Naomi Campbell, uma de suas musas nos anos 80 e 90, para a temporada de inverno 2017/18, que aconteceu na semana passada. Aqui nossa resumão…

Azzedine Alaïa

O estilista focou nas referências do passado, nos anos 60 mais precisamente, para desenhar conjuntos de minissaias e blazers, e também casacos que fazem as vezes de vestidos curtos. Esses últimos ele combinou com botinhas de cano médio na mesma estampa, em uma manobra que valorizou e enriqueceu a produção – e que nós gostamos muito! Outra boa pedida para os looks de festa foi a combinação das roupas com botas de cano super longo, que sobem até o topo das coxas como se fossem um tipo de calça bem justinha, uma calça que segue até a ponta dos pés.

Elie Saab

A Elie Saab mirou nas princesas e rainhas de “Game of Thrones” para desenhar essa sua coleção de alta-costura, que veio carregada de bordados, veludo, musselines e, principalmente, de capas que deram o tom de conto de fadas aos vestidos de festa.

Margiela Artisanal

Quais são as possibilidades de novas construção de roupas a partir de um simples trench-coat? Esse foi o desafio lançado por John Galliano, o mago da costura, que responde por diretor criativo da minimalista Margiela Artisanal. Galliano deu novos sentidos para peças que vestimos no dia a dia, e ainda incluiu outras que já foram tão polêmicas na história, como o espartilho.

Viktor & Rolf

À primeira vista Viktor & Rolf sempre parece um pouco estranho, mesmo. A marca fundada pelos holandeses Rolf Snoeren e Viktor Horsting tem um histórico de impacto conceitual muito forte – eles já passaram por altos e baixos ao longo de sua trajetória (como toda marca), mas nunca se renderam ao comercial! Exatamente por isso decidiram abrir mão dos desfiles prêt-à-porter para focar apenas na alta-costura, segmento que os deixa mais à vontade para criar.
Nesse último desfile, aparentemente mais tecnológico, com o uso de tecidos visivelmente sintéticos, eles criaram um contraponto entre o moderno e o antigo, destacando o novo ao mesmo tempo em que valorizaram a mão de obra artesanal – as estampas de patchwork reforçaram essa mensagem!
Já as modelos que carregaram as cabeçonas de bonecas, associadas às Blythes – que ninguém pareceu entender muito bem, diga-se -, foram uma mera brincadeira dos estilistas. Não tem muita explicação mesmo, eles só acham que o mundo está muito sério e quiseram levar um pouco de humor para a passarela. Quem conhece bem a marca sabe que Viktor & Rolf é fã da ideia de bonecas, como as matrioskas, que fundamentaram o princípio de suas criações. Então, vai, se buscarmos bem pode até ter um significado mais profundo nessa brincadeira, enquanto as roupas nada mais são do que uma releitura de tudo o que eles já fizeram até hoje, trocando apenas os tecidos e as combinações das peças.

Schiaparelli

Uma das marcas mais antigas, a Schiaparelli tem toda uma referência voltada para as artes que não tem como ignorar. Enquanto a estilista original se abastecia do surrealismo da época (estamos falando de anos 20-30), novos estilos artísticos foram colocados em prática na atual coleção. Neste caso o cubismo e a op-art, que é a ilusão de ótica que algumas estampas causam. Essas referências não surgiram exclusivamente como padronagens, mas também com a construção de camadas de cores e intersecções de babados que formaram um efeito degradê multicolorido.
Mais uma vez, as botas de combate e cano longo são colocadas em teste e combinadas com vestidos de festa.

Fotos: WWD, Vogue Runway.

Da Redação